[Livros-Opinião] O Pirata do Rei na Terra do Sol - Clóvis Bulcão




 O Pirata do Rei na Terra do Sol é um romance sensual e vibrante que narra o sequestro na cidade do Rio de Janeiro por René Duguay-Trouin, o lendário corsário francês ao serviço do rei Luís XVI. Em 1711, protegida por um denso nevoeiro, a frota de quinze vasos de guerra invadiu a baía de Guanabra de forma espetacular e aí desembarcaram mais de mil homens. O objectivo era roubar o carregamento anual de ouro do Brasil e desferir um poderoso golpe no orgulho e poderio português.
Uma trama fascinante, habilmente explorada por Clóvis Bulcão, que nos revela a realidade da Mui Leal e Histórica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro antes da alvorada da independência, rodeada de proibições reais, jesuítas, mulheres sedutoras, tráfico e corrupção sob o esplendor do sol tropical.



Opinião 
 
Um romance histórico que conta a história do sequestro da cidade do Rio de Janeiro por um lendário corsário francês. Adoro histórias de piratas, adoro romances históricos. Conclusão?? Não consegui resistir a este livro. Mas levei com uma grande desilusão….

A primeira parte do livro é dedicada à contextualização económica, política e social de São Sebastião em 1711 (a cidade de Rio de Janeiro teve o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro em 1565, quando foi fundada). Gostei muito desta parte – nesta secção são apresentadas as personagens, os negócios e as negociatas mais sórdidas que existiam na altura, a confraternização entre os homens de poder com os traficantes de pólvora e sal, a “liberdade” que era dada a escravos remunerados, e a vida normal dos habitantes da cidade. É extremamente curioso observar as relações entre pessoas de estratos sociais diferentes, e de que forma é que tudo (e todos) estava interligado – os recursos enviados de Portugal, a mão de obra dos escravos, o negócio dos traficantes, a pobreza e a riqueza do povo.
No fundo, esta primeira parte foi a única que realmente gostei. O restante livro foi lido com algum esforço, visto que a escrita não me conseguiu cativar. Também não gostei da forma como o livro foi estruturado – capítulos sempre muito pequenos (3 a 4 páginas), narrando alternadamente um leque bastante grande de personagens. A leitura torna-se demasiado repartida porque, apesar de haver um fio condutor entre todas as histórias, são muitas personagens e passamos sempre muito rápido por cada uma delas.

A escrita não me apaixonou mas, com este livro, fiquei com uma visão do que era o Rio de Janeiro nesta altura, e de que forma é que as pessoas mais abastadas usavam o seu poder a seu belo prazer. Depois da leitura deste livro, é possível perceber a perversão do ser humano pela riqueza e pelo poder, tendo como pano de fundo um acontecimento histórico.  
De facto, é com a História que aprendemos…mas o grande problema é que o ser humano volta sempre a repetir os mesmo erros. E depois de ler este livro, vemos que muita coisa continua na mesma.

Um aspecto que acho importante mencionar é a falta de uma nota do autor no final. Em muitos livros deste género, o autor tem o cuidado de deixar uma nota onde explica o que é real e o que é ficcional na sua história. Tenho pena não haver essa secção neste livro.
Para terminar, gostei bastante da capa – foi esta uma das razões que me levou a olhar para o livro - mas acho o título um pouco grande demais. Um título mais curto poderia ser mais chamativo…

Concluindo, se por um lado gostei de saber como era o Rio de Janeiro em 1711, não gostei muito da escrita ou de como a história estava contada. Um livro que não voltarei a ler.


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