[Opinião] Cidades de Papel - John Green





Título Original: Paper Towns

Tradução: António Carlos Andrade
Editora: Editorial Presença
Páginas: 304
Classificação: 3,5/5
 


Sinopse
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quenin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quando mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.

Opinião
Já li outro livro deste autor há alguns meses chamado A Culpa é das Estrelas. Na altura não escrevi a minha opinião, mas posso dizer que, apesar de todas as opiniões super positivas que li sobre o livro, desiludiu-me. Mas, se calhar, isto aconteceu apenas por ter tido expectativas demasiado altas...mas agora vou focar-me no Cidades de Papel.
O motivo que me levou a ler este livro é, de certa forma, um bocadinho estúpido...uma prima minha disse à minha mãe que gostava de ler A Culpa é das Estrelas e o Cidades de Papel, e perguntou se eu, por acaso, os tinha e se os podia emprestar. A minha mãe disse que sim, mas só depois é que se apercebeu que eu só tinha um deles. Então, eu decidi fazer uma coisa “fantástica”: comprar o livro, lê-lo e depois emprestá-lo à minha prima. A verdade é que até tinha alguma curiosidade em relação ao livro, e aproveitei a oportunidade. Sei que já existe uma adaptação cinematográfica da obra, e que os adolescentes (e não só) andam doidos pelos livros deste autor. Em relação à A Culpa é das Estrelas eu já sabia qual era o tem abordado e, por isso, comecei a ler com muitas expectativas. Em relação às Cidades de Papel, eu não sabia qual era a história, qual era o tema e, por isso, decidi lê-lo e tirar as minhas próprias conclusões sobre o autor.
Com a mente livre de opiniões e preconceitos, lá comecei a leitura de Cidades de Papel. Só posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com esta história!

A história foca dois adolescentes, Quentin e Margo, que foram os melhores amigos na infância mas que acabaram por se ir afastando quando cresceram. Apesar de serem, desde sempre, vizinhos, não mantiveram qualquer contacto. Até ao dia em que Margo, a meio da noite, vai bater na janela do quarto de Quentin e promete-lhe uma noite cheia de aventuras.
Além dos protagonistas, Quentin têm dois melhores amigos que são muito especiais. Este trio de amigos tem uma dinâmica muito gira, que mostra três jovens muito diferentes entre si, mas que têm uma amizade muito bonita.
Uma história de adolescentes?! Sim, uma história de adolescentes que nos faz pensar. Um livro que, apesar de ser para adolescentes, vai obrigar qualquer adulto a reflectir sobre o que é a adolescência e o ser humano, no geral.

O autor escreve de uma forma fluída sem descrições pormenorizadas, nunca havendo momentos mortos na história. As personagens são desenvolvidas de uma forma muito cuidadosa, enfatizando as dificuldades que os adolescentes sentem nesta fase da vida – a busca pela sua identidade, dos seus princípios, de perceberem o que é para eles a verdadeira felicidade.
O autor prima pela forma como descreve a adolescência – mostra-a sem floreados, descrevendo a vida escolar (os grupos de alunos populares e os menos populares), o bullying, a importância da amizade, as primeiras paixões, o cariz sexual a despertar, as relações complicadas entre pais e filhos. Mas mais importante do que isso, é forma como o autor explora um dos conceitos que todos os jovens aprendem nesta altura – as pessoas nunca são o que aparentam ser! Todos nós temos um passado que nos moldou – é a nossa história, aquilo que nos define – e que nos levou a criar um lado que não mostramos ao resto do mundo. Quando olhamos para uma pessoa vemos aquilo que ela quer que nós vejamos, e não aquilo que ela pensa e sente.
Quentin, o protagonista deste livro, vê-se envolvido numa aventura que não esperava, e acaba por ter de lidar com algo que não contava – descobrir-se a si próprio e descobrir que a pessoa que mais admirava não era o que pensava. Afinal, somos todos diferentes, e as pessoas são muito mais do que aquilo que aparentam.


Conclusão, ainda bem que li este livro de John Green. Um autor que sabe escrever um livro para adolescentes, sobre a adolescência, mas que leva qualquer adulto a reflectir sobre determinados aspectos fundamentais da vida e da sociedade. Gostei!

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5 comentários

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19 de outubro de 2015 às 10:42 delete

Concordo plenamente!!
Também já li este livro e gostei bastante!!!!

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Femme Trivial
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21 de outubro de 2015 às 03:23 delete

Já li A culpa é das estrelas e À procura de Alaska e gostei muito!!!
Este vi opiniões tão negativas que estou com receio de ler.

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Femme Trivial
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21 de outubro de 2015 às 03:23 delete

* Embora a tua opinião tenha reacendido a vontade de lhe pegar :)

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Kel
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2 de novembro de 2015 às 23:41 delete

Este livro tem algo que fica connosco quando o acabamos de ler, não é?
É interessante como determinados livros, mesmo que tenham uma escrita simples, conseguem tocar-nos tanto.
Beijinhos e boas leituras

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Kel
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2 de novembro de 2015 às 23:43 delete

Em relação à Culpa é das Estrelas, decepcionou-me bastante!....mas não li mais nada deste autor. Depois deste livro, fiquei com vontade de ler mais alguma coisa...se calhar vai ser o "À Procura de Alaska" :D
E espero que não te desiludas quando leres este livro...Não quero ser a "causadora" de leres um livro que não gostes!
Beijinhos e boas leituras

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