[Opinião] O Problema Espinosa - Irvin D. Yalom




Título Original: The Spinoza Problem
Tradução: João Henrique Pinto
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400
Classificação: 5/5





Sinopse
Quando o jovem de dezasseis anos, Alfred Rosenberg, é chamado ao director devido a comentários antissemitas no liceu, é obrigado a estudar passagens sobre Espinosa. Rosenberg fica espantado ao descobrir que Goethe, o seu ídolo, era um grande admirador do filósofo português Bento Espinosa. Um judeu. Mas tarde na sua vida, Rosenberg continua a ser perseguido por esse “problema Espinosa”: Como poderia o génio Goethe inspirar-se num membro de uma raça inferior, uma raça que ele estava determinado a destruir?
Espinosa, um judeu português refugiado na Holanda, viveu uma vida de castigo e isolamento. Devido aos seus pontos de vista foi excomungado da própria comunidade judaica de Amesterdão, e banido do único mundo que sempre conhecera. Apesar de viver com poucos meios, Espinosa produziu obras que mudaram o rumo da História.
O romancista de sucesso mundial Irvin D. Yalom explora a mente de dois homens separados por trezentos anos, dois homens que mudaram o rumo do mundo, as vidas interiores de Espinosa, o virtuoso filósofo secular, e de Rosenberg, o ímpio assassino de massas. Já o havia feito com Nietzche e agora com o maior filósofo português de todos os tempos. Yalom tem um talento único para personificar de forma inesquecível os maiores pensadores da História. Deixa-nos fascinados e os seus livros marcam-nos para sempre.


Opinião
Este livro marcou-me pela densidade e pela necessidade de raciocínio. Este livro é sobre um filósofo, a sua vida e as suas filosofias, deixando-nos a necessidade de raciocinar sobre as suas ideias e sobre os seus princípios. (Num livro sobre filosofia que não fosse necessário pensar, algo estava muito errado…). Este livro, carregado de teorias, filosofias e pensamentos, deixou o meu cérebro repleto de novos pensamentos que tive de aprender a perceber.
Passo a explicar como é que este livro me veio parar às mãos. O meu pai é da área da filosofia, e no Dia do Pai do ano passado optei por lhe dar este livro. Sinceramente, estava com algum receio que ele não fosse gostar – poderiam as definições estar erradas, estar mal fundamentado, etc, mas, pelos vistos, ele gostou muito da prenda. Leu-o e deixou-o no meu quarto na minha lista de livros para ler. Como nós sabemos, os leitores aficionados têm sempre uma pilha gigante de livros para ler, e este juntou-se a essa pilha. No mês passado foi a vez dele. E ainda bem que a vez dele chegou!
Adorei o livro. Adorei a escrita e a forma como o livro foi escrito. Ou seja, a história relata a vida de duas personagens distintas – Bento Espinosa e Alfred Rosenberg. Duas personagens que, aparentemente, não têm nada a ver uma com a outra, visto que o primeiro é um filósofo português que, por ser judeu, teve de fugir para a Holanda, sendo posteriormente banido da comunidade por ter pensamentos demasiado “vanguardistas”, e o segundo é um dos amigos do Hitler, que detinha um dos cargos mais altos dentro do partido Nazi. Ora bem, esta segunda personagem sempre deteve um fascínio irracional pelas teorias de Espinosa, apesar de pensar que um verdadeiro judeu nunca poderia ter um pensamento tão claro e objectivo.
Falando de Espinosa mais concretamente – não o conhecia, nem conhecia as suas teorias. Mas gostei. Gostei muito do seu pensamento radical, em que tenta racionalizar ao máximo a religião (entre outras coisas), tendo a necessidade de se isolar do mundo para ter uma vida dedicada quase exclusivamente ao pensamento.

A escrita do autor é muito interessante, visto que não é excessivamente elaborada, mas consegue introduzir momentos de psicanálise às personagens, sem se tornar aborrecido.
Volto a dizer, gostei da história, gostei de conhecer estas duas personagens que fazem parte da História, e que não conhecia e, gostei especialmente, da forma como o autor narrou a história.
Quando tiver oportunidade, irei, de certeza, ler mais livros deste autor.

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3 comentários

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J.
AUTHOR
23 de abril de 2015 às 12:33 delete

Cá eu não posso dizer o mesmo... Li (e tenho) o do Nietzsche e o do Schopenhauer e achei a escrita bem pobre, o único ponto de interesse é mesmo o contacto com filosofias que não conhecemos ou conhecemos parcialmente. E depois de ter lido dois percebi o "esquema" de escrita que parte sempre de uma relação psicanalista.

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Kel
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23 de abril de 2015 às 16:02 delete

Olá Denise,
De facto, o livro é bastante interessante.

J., o autor é psiquiatra, daí a sua análise às personagens. Não achei a escrita pobre...acho que o autor se focou mais em fazer análise psicológica das personagens e descrever as suas filosofias do que construir um texto muito trabalhado. Bem, acho que é uma questão de gostos :p

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