[Opinião] Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley





Título Original: Brave New World
Ano: 1932
Tradutor: Mário Henrique Leiria
Editora: Unibolso
Páginas: 242
Classificação: 5/5



Sinopse
Admirável Mundo Novo é uma distopia sobre uma sociedade totalitária do futuro, regida pela tecnologia e pelo materialismo e sob a máscara da democracia e da felicidade.

Opinião
Um livro que devia pertencer à biblioteca de qualquer leitor. Não por ser apenas um aclamado clássico da literatura, mas porque faz o leitor reflectir sobre o rumo que a humanidade está a seguir.

Os primeiros capítulos desta obra fizeram-me imensa impressão, visto serem a descrição da base desta sociedade – o nascimento e crescimento dos seres humanos. Cada ser vivo é criado em provetas, em que cada um já tem características pré-definidas: existem muitos humanos com um baixo QI, que são assim criados para trabalharem em determinados ofícios, e gostarem daquilo que fazem, sem nunca quererem evoluir ou mudar de vida; existe outra camada que, ainda em provetas, é preparada para aguentar temperaturas muito altas ou muito baixas (dependendo do que necessitam) para não terem problemas em trabalhar num clima com essas condições; existem bastantes mais camadas, com QIs diferentes, com características diferentes: cada “grupo de provetas” está preparado para uma determinada profissão. E segundo este padrão é criada uma sociedade dividida em castas. Nesta sociedade, os seres humanos são modificados biologicamente mas, também, psicologicamente, visto que, desde bebés, são implementadas nas suas mentes as regras e leis da sociedade (consoante a casta a que a criança pertence). 

Algo ainda mais estranho, é a total ausência da mãe e do pai, sendo palavras consideradas “palavrões” nesta sociedade – não existe o conceito de família (e muito menos de amor). Esta total ausência de laços é transversal a todas as castas e a toda a sociedade – não existe o amor e não existe o verdadeiro afecto. É um mundo onde a monogamia é intolerável, visto que o lema deste povo é “Cada um pertence a todos”. Visto que não existem elos afectivos entre pessoas, o sexo é puramente uma actividade de prazer – esta actividade é fomentada desde a infância, visto que os jovens têm aulas de educação sexual desde crianças.

É uma sociedade que vive em liberdade, mas é escrava dela própria. As pessoas não são totalmente livres porque todas são formatadas desde bebés para fazer e pensar a mesma coisa. E nunca poderão possuir sentimentos verdadeiramente humanos porque tal não é permitido. Além do mais, acabam por não precisar de encarar os seus problemas ou dilemas, porque existe abundantemente uma droga chamada “soma” que pode ser ingerida (e neste cultura, deve ser ingerida regularmente) para manter a felicidade.

E depois, no meio desta sociedade onde os valores que nós hoje consideramos fundamentos não existem, desenrola-se a história sobre um homem que acha que a vida é algo mais do que o que tem vivido, e acaba por ir a uma Reserva onde vivem algumas tribos que mantêm as tradições do passado (ou seja, as nossas). E a história é feita sobre a confrontação desta sociedade futurista com a que nós vivemos hoje.

Uma história genial, contada por um excelente escritor. É impossível acabar esta leitura e ficar indiferente. É um livro que impressiona, que nos toca, que faz pensar, que nos faz duvidar sobre o rumo que estamos a seguir.
Um livro que terá um lugar de destaque na minha estante.

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