Título Original: Jigs & Reels: Stories
Tradutor: Teresa Curvelo
Editora: Asa
Páginas: 224
Classificação: 4,5/5
Sinopse
As sarcásticas histórias de
Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e
maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar
de uma forma única situações e personagens comuns – e até banais – com o
extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua
imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora que
contém tudo quanto é extravagante, estranho, misterioso e perverso. De bruxas
suburbanas a velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores de
lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços
eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas
com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o
perturbador estão sempre a um passo de distância.
Opinião
A minha história com os livros da
Joanne Harris não começou da melhor maneira. Li o livro “Chocolate” há muitos
anos e não gostei. Foi há tanto tempo que já não me lembro das razões que me
levaram a não gostar da leitura. Provavelmente era muito jovem para perceber o
mundo metafórico que a autora relata ou, pura e simplesmente, não era o tipo de
história que me interessava na altura. Entretanto, vi o livro "A Marca das Runas" nas livrarias, e como as opiniões que li eram muito positivas, decidi lê-lo. Gostei, mas não me encheu as medidas.
Há alguns meses encontrei este livro em promoção
e, apesar do último livro que tinha lido dela não me ter fascinado, achei que devia dar mais uma oportunidade à autora. Ainda bem que o fiz!
A autora, desta vez, encheu-me as medidas.
Neste livro constituído por vários contos, existe algo que os une – uma escrita
extremamente absorvente, crua e directa, repleta de ironia e malícia. Personagens
aparentemente banais que, durante a leitura, se transfiguram; criaturas do
imaginário, cenários irreais mas extremamente verdadeiros por comparação com o
nosso quotidiano - são estes mundos e personagens que tornam a escrita de
Joanne Harris única e arrebatadora.
Nos seus contos encontramos
constantemente críticas à sociedade – aos estigmas e aos paradigmas que povoam
o nosso mundo, como também às várias características do ser humano (o ciúme, a
maldade, a vaidade, a inveja, a inocência…).
Alguns contos ficaram gravados na
minha mente pela forma como a autora abordou determinados temas. Como por
exemplo, a história de duas senhoras de idade que queriam fazer uma pequena
extravagância (comprar uns sapatos vermelhos ou ler um livro de um género mais
picante), e não lhes era permitido ter essa pequena felicidade porque a
sociedade não o aprovava; uma mulher inocente e extremamente bondosa, que se vê
envolvida numa venda de roupa erótica sem se aperceber, porque todos os seus
“amigos” pensavam que ela seria demasiado “burra” para o perceber; uma história
contada pelos olhos de uma jovem de 13 anos que pensava que a beleza perfeita era
o essencial na vida, modificando o corpo à sua vontade sem pensar nas consequências
que poderiam aparecer nos anos seguintes.
Esta escritora conseguiu algo
fantástico. Eu não gostava de contos e adorei este livro. Adorei cada conto por
si só, como também pelo conjunto, visto que em todos eles a escrita de Harris é
extremamente marcante.
Uma autora para ler e devorar!

Olá,
ResponderEliminarEsta autora nunca chamou a minha atenção e nunca li nenhum livro dela mas fiquei curiosa com este.
Devo começar por este?
Também gostei muito deste livro...acho que foi o 1.º de contos que li :) O meu favorito dela é o Aroma das Especiarias...mas só faz sentido se se tiver em mente Chocolate e Sapatos de Rebuçado.
ResponderEliminarOlá!
ResponderEliminarTânia, eu gostei muito deste livro mas, sinceramente, não sou especialista nesta escritora para te aconselhar o melhor livro para começar! :) De qualquer forma, se gostas de contos, este livro é muito especial.
Framboesa, tenho de voltar a ler o Chocolate e depois os outros livros desse conjunto (é uma trilogia, não é). Tenho mesmo de lhe dar uma segunda oportunidade.
Obrigada por comentarem!
Beijinhos e boas leituras