Publico hoje o segundo texto de uma série de textos escritos por amigos! Este foi escrito pela J. do blog Rock. Paper. Scissors. MUITO OBRIGADA! És uma querida!!!
Não é uma opinião de um
livro, mas é um texto super interessante sobre e-reader! Espero que gostem!
Como sei que a Kel não
irá fazer um post sobre este tema,
num futuro próximo, e reconheço que, apesar de já ser um tópico banal no
panorama bibliófilo internacional, ainda é visto com alguma desconfiança pelos
leitores portugueses, resolvi trazer-vos um bocadinho da minha experiência com
os e-readers. Note-se desde já que
não estou a fazer publicidade gratuita ou remunerada a estes aparelhos e que as
especificações técnicas terão de ficar para quem perceba verdadeiramente do
assunto.
Mas o que é essa coisa de e-reader?
É mesmo o que o nome em
inglês nos diz – um leitor de livros, que podem vir em formatos vários como PDF, HTML, ePUB e MOBI, portanto não tão diferente assim dos leitores de
música que já conhecemos.
Porque o comprei?
Sim, eu também torci o
nariz a uma coisa que parecia pretender
ser um livro. Dizer que adoro livros é um eufemismo. Tenho uma relação muito
próxima com eles desde que aprendi a ler e isto parecia-me ser um primo frio e
alienígena que só serviria para substituir os meus velhos amigos. Ora aí está o
primeiro mito, um e-reader não
substitui um livro, nem milhares deles (apesar de a memória ser gigantesca e
praticamente não ser necessário “apagar” livros para o resto da minha vida) – é
um complemento. Parecendo um contra-senso, eu decidi comprar o meu primeiro e-reader para poupar dinheiro. É claro
que eles ainda não são propriamente baratos (apesar de já se comercializarem
tantas marcas e modelos que já nem sei se isso é mesmo verdade), mas a longo
prazo é um investimento que compensa e muito, especialmente para quem lê em
inglês. Há sim a possibilidade de comprar e-books,
de forma instantânea (em segundos, o livro aparece no leitor), através de
múltiplas livrarias online, mas para
mim a vantagem está na leitura de livros de Domínio Público. Estes são, hoje em
dia, milhões, em variadíssimos sites. O www.gutenberg.org é provavelmente o
mais antigo e conhecido, mas também já existem alguns de Literatura Portuguesa
como o Projecto Adamastor. Por outro lado, é extremamente prático para os
amantes de calhamaços, principalmente para aqueles que têm bichinhos
carpinteiros que os fazem viajar de quando em vez. Mas mesmo nas deslocações
diárias em transportes públicos, este continua a ser o meu meio de leitura
predilecto - não há perigo de dobrar o livro ou estragá-lo, o peso e volume são
significativamente menores (alguns deles cabem num bolso, literalmente) e basta
premir um botão para continuar confortavelmente a leitura.
A leitura não é desconfortável? Porque não usar um computador ou tablet?
Não, de todo, aliás, é o
meio mais confortável de leitura que conheço. A tecnologia e-ink permite que a “luz” incida no ecrã longitudinalmente e não
directamente nos nossos olhos, que é o que acontece com a tecnologia LCD dos
nossos computadores e tablets – e que
agridem os nossos (já de si cronicamente cansados) olhos. Isto faz com que a
sensação que se tem a olhar para o ecrã seja igual à de olhar para uma folha de
papel, e acreditem podem passar horas a ler que nunca vão sentir as picadas ou
a ardência ocular que acabamos por sentir eventualmente em frente a um
portátil. Alguns destes aparelhos, vêm agora com uma luz integrada que permite
ler em escuridão completa de modo confortável, o que também é muito útil
quandoa luminosidade ambiente não é
satisfatória, sendo mais um auxiliar importante da nossa visão (convenhamos, quem
de nós nunca leu umas boas horas com luz que francamente não é suficiente?).
Além disso, já dei por mim a preferir ler o mesmo livro no meu e-book, tendo o
livro físico, porque posso formatar o texto à minha vontade, o que geralmente
implica aumentar o tamanho da fonte.
Ai, mas eu seria incapaz de deixar de ler em papel!
Tal como eu e todos os
donos de e-readers que conheço.
Ninguém deixou de os comprar e ler, intercalados. Afinal, a leitura em papel é
toda uma experiência hiper-sensorial difícil de mimetizar e todos brindamos a
isso. O e-reader tornou-nos no fundo
mais selectivos, mais práticos (para além de que é um gadget muito engraçado, vá). Se estou na dúvida se devo comprar ou
não um livro, posso começar a lê-lo no aparelho, sem qualquer custo, e depois
decidir. Com os controlos de despesas que todos os portugueses têm sofrido,
esta aquisição permitiu-me reduzir o número de livros que compro, optando agora
por comprar edições de melhor qualidade (daquelas que ficam lindas nas
estantes) dos livros que realmente quero e estimo.

Ainda sou da velha guarda, que vê apenas o livro em papel como único e essencial, mas esta análise de facto, deixou-me a pensar. Muito interessante!
ResponderEliminarBeijinhos e boas leituras!
Como eu te compreendo Denise! Também prefiro um livro de papel, e como a J. sabia disso, aproveitou para contar a sua experiência.
ResponderEliminarTambém gostei muito do texto dela.
Beijinhos