As Virgens de Vivaldi - Barbara Quick [Opinião]


Título Original: Vivaldi’s Virgins
Tradução: Maria Eduarda Colares
Editora: Editorial Presença
Páginas: 264
Classificação: 3/5 - Gostei






Sinopse
As Virgens de Vivaldi traz-nos a Veneza barroca, esplendorosa e decadente, de inícios Setecentos, la Serenissima, numa fresco luminoso e negro de uma sociedade marcada pela festividade exuberante do espírito carnavalesco e pelo peso castrador de uma mentalidade arreigadamente puritana. E é através do olhar de Anna Maria – uma das muitas jovens acolhidas pelo Ospedale della Pietà, virtuosa do violino e aluna predilecta do grande maestro Vivaldi – que podemos observar esse fresco, que ficamos a conhecer a sua fascinante história de vida, o quotidiano dentro das paredes do Ospedale, as intrigas da Veneza do século XVIII e um pouco do legado musical e da vida do próprio Vivaldi.


Opinião
Um romance histórico escrito de forma cuidada e imaginativa, em que o autor consegue conjugar personagens reais e conhecidas com outras criadas no seu imaginário.

Quando iniciei a leitura desta obra não fazia ideia que a protagonista era inspirada numa personagem real – Anna Maria dal Violin – mas gostei da ideia da escritora. Conjugar a vida de uma órfã do Pietà que ficou famosa, com a realidade da época e com o que sabemos sobre o compositor Vivaldi. Todo o livro decorre dentro das paredes da Ospedale della Pietà em Veneza, um convento, orfanato e escola musical, onde Anna Maria foi deixada em bebé e o compositor, maestro e exímio violinista António Vivaldi dava aulas.
As únicas alturas que vemos a cidade são nas escapadelas proibidas de Anna Maria, para ouvir música ou tocar nalgum sítio (as instrumentistas e cantoras deste orfanato não estavam autorizadas a tocar/cantar fora daquele espaço religioso nem podiam ouvir música secular (ópera)).  Mas mesmo só tendo pequenos vislumbres de Veneza durante a leitura, é possível sentir o espírito carnavalesco presente nesta cidade, tal como as divergências entre religiões e camadas sociais diferentes.
O livro é escrito na primeira pessoa, onde Anna Maria conta tanto a sua devoção religiosa e musical como também todas as dificuldades que as jovens órfãs sofriam nesta instituição. Ao ler este livro o leitor consegue perceber a solidão de cada uma das jovens que, apesar de viverem num espaço habitado por muita gente, não sabiam quem eram nem o que realmente representavam. Uma solidão assustadora que estava sempre aliada à eterna prisão a este mundo. Estas jovens tinham possibilidade de se casar se deixassem a música, não podendo voltar a tocar o seu instrumento. Mas até o casamento era muito difícil visto que a sua vida decorria sempre dentro do convento e as suas actuações na igreja eram realizadas num espaço mais escondido da igreja, de forma a que não permitisse aos visitantes ver os rostos das jovens.

A abordagem do livro às questões musicais e ao compositor Vivaldi é interessante. É um compositor extremamente conhecido e, por isso, há imensas teorias sobre a sua relação com as alunas…mas este tipo de teorias não passam de teorias, e é muito difícil saber realmente o que terá acontecido.

Agora em relação ao livro. É um livro interessante, que se lê rapidamente, e que deixa o leitor com uma ideia de como era Veneza no Barroco, vista pelos olhos de uma excelente violinista da Pietà.



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2 comentários

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3 de novembro de 2013 às 19:05 delete

Duas referências de rápida leitura sobre o assunto:
http://www.historytoday.com/denis-stevens/orphans-and-musicians-venice
http://sunmin.tv/acda/member/choral_journal/pdf/2009/Feb/February_2009_Eanes,C.pdf

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Kel
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4 de novembro de 2013 às 15:00 delete

Quando tiver tempo vou lá ler esses artigos :)
Brigada Luís!!

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