Liberdade - Fernando Pessoa [Poema]


Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada, estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal, sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca....


Fernando Pessoa

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8 comentários

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Carol
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15 de abril de 2012 às 19:53 delete

Quando puderes :http://palavrassoltas-carol.blogspot.pt/
obrigado *

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Kel
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16 de abril de 2012 às 10:23 delete

Olá Carol.
Já vou visitar o teu blog.
Beijinhos e boas leituras

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18 de abril de 2012 às 17:53 delete

Ah, ah, ah!!!!
O final deste poema é de génio!
Adoro este Pessoa :)
Obrigada pelo post ;)

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Kel
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18 de abril de 2012 às 21:17 delete

Quando vi este poema também adorei! :p
Ainda bem que gostaste do post.
Beijinhos

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30 de abril de 2012 às 11:39 delete

Ora, ora, que dizer sobre este poema de Pessoa?

Genial.
Intemporal.

Abraço

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Kel
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30 de abril de 2012 às 12:05 delete

Olá Miguel,
Não conhecia este poema, mas quando o li achei exactamente a mesma coisa!
Grande Fernando Pessoa!

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3 de maio de 2012 às 17:51 delete

Adoro Fernando Pessoa!

É o meu autor preferido de sempre.

Obrigada pelo post!

Vou continuar a seguir!

queriadeti.blogspot.pt

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Kel
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3 de maio de 2012 às 18:10 delete

Obrigada Cristina!
Sê bem-vinda.
Já vou visitar o teu blog.

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