O Rouxinol e a Rosa - Oscar Wilde





Título Original: The Happy Prince and the other Tales

Editora: Europa América

Páginas: 168

Classificação: 5/5




Este livro conta com a colectânea de alguns contos do autor:




O Príncipe Feliz
Já tinha lido este conto na Colecção “Biblioteca de Verão”. A opinião encontra-se aqui.

O Rouxinol e a Rosa
É uma história de amor! Um rapaz queria impressionar a menina do seu coração, e para isso ele precisar de encontrar uma rosa vermelha. Um rouxinol ouve os queixumes do rapaz e ajuda-o. Procura em todos os roseirais por um rosa vermelha, e a única forma de a conseguir é dar o seu próprio sangue para que ela fique com a cor da paixão. Apesar de o rouxinol ter dado a sua vida pelo amor, a rapariga nega dançar com o rapaz, e ele acaba por dizer que a rosa não valia nada. Uma história triste, que mostra a ingratidão humana.

O Gigante Egoísta
Esta história é belíssima. Fala de um gigante que possuía um jardim maravilhoso mas que não permitia que as crianças pudessem lá brincar. Com a falta de alegria, o jardim continuava com neve e frio. Uma manhã o Gigante vê que as crianças conseguem entrar no seu jardim, e o que este se encheu de vida e cor, e até as flores começaram a desabrochar e os passarinhos a cantar. Ajudou também um dos meninos mais pequenos a subir para uma árvore. Aqui mostra que nós sendo egoístas o mundo se fecha para nós, é um lugar frio e escuro, e nós precisamos de partilhar e de ver o riso das crianças.
No final, quando o Gigante já estava velhinho, a tal criança que ele tinha ajudado a subir para uma árvore voltou com umas chagas nas mãos e nos pés, e disse-lhe que como ele um dia o tinha ajudado, e que vinha retribuir, levando-o para o Paraíso.
A parte final deixa-me confusa porque noutros contos Wilde mostra que está contra a Igreja Católica. Talvez tenha sido escrito numa altura em que tivesse outra opinião…

Um Foguete Extraordinário
Esta foi o conto que menos gostei. Um foguete que se achava mais importante que os outros, e que esperava ser lançado no dia mais importante do reino. Tanto se gabou, que acabou por ser o único a não ser lançado no dia do casamento do Rei. É deixado no meio do jardim e acaba por ser lançado por acaso, sem nenhum espectador.

O Amigo Dedicado
Já li este conto há algumas semanas e já não me lembrava muito bem da história. É uma história contada por animais. Surge um Rato de Água muito presunçoso que acha que um amigo dedicado é aquele que a ele se dedica. Ou seja, que um bom amigo é o que faz tudo por ele e para ele, e que este não tem de retribuir. O Pintarroxo verde (adoro este trocadilho de Wilde) conta-lhe uma história com uma determinada moral para o fazer ver que a amizade é extremamente importate, que devemos cuidar-mos daqueles que gostamos. Aquilo que recebemos de bom, devemos retribuir. Apesar de tudo, o Rato continua a pensar que ele é que é o melhor e acaba por ficar sozinho.

O Pescador e a Sua Alma
Este foi, sem sombra de dúvida, o conto que mais gostei. Fala de um Pescador que encontra uma Sereia no mar e que se apaixona loucamente por ela. A única forma de poder ficar com a sua amada é ficar sem alma, porque os seres do mar não têm alma. O Pescador vai ter com o padre e este diz-lhe que isso é sacrilégio, e que sem alma não somos nada. Vai ter com um comerciante e ele diz que não sabe como o fazer, mas que a alma não serve para nada, o dinheiro é muito mais importante. Vai falar com outras pessoas que lhe vão dando a sua opinião, mas que não sabem como é que ele há-de fazer para se desfazer da sua alma. Então, o Pescador descobre que existe uma bruxa que o pode ajudar. Depois de um determinado ritual a bruxa tira-lhe a alma. Ele parte para o mar para viver com a sua Sereia e a alma fica em terra, vagueando pelo mundo. Uma vez por ano a alma vem falar com o Pescador e tenta aliciá-lo para voltarem a ficar juntos. Todos os anos tenta aliciá-lo com coisas diferentes - o primeiro com riqueza, o segundo com sabedoria, e o terceiro ano com o prazer – sexo em quantidade e variedade. O Pescador acaba por ceder à sua alma e sai do mar. Tarde demais, apercebe-se que na sua alma só estavam emoções negativas, como a luxúria, a ganância, entre outras, e que o Amor era muito superior a tudo o que a alma lhe poderia dar. Quando tenta voltar para o mar, a sua Sereia está morta, e ele acaba também por morrer.
A Sereia e o Pescador são enterrados juntos em solo não consagrado. Uns dias depois o Padre vai celebrar a missa, e a igreja está decorada com flores lindíssimas que lhe enchem a alma de paz e alegria, fazendo com que ele dê um sermão sobre o amor, emocionando todos os seus ouvintes. Quando termina a missa, ele pergunta de onde tinham sido tiradas aquelas flores – era exactamente do sítio onde tinham sido enterrados o Pescador e a sua Sereia. O Padre apercebe-se então que o amor é o fundamental, independentemente de ser um ser do mar ou não, e abençoa o terreno onde eles estavam, indo de seguida abençoar o mar e todas as criaturas que lá viviam. A partir daí, os seres que habituavam nessa zona do mar, partiram para outro local e, o local onde os amados foram sepultados e que estava repleto de flores lindíssimas, transformou-se numa terra estéril.
Este conto está narrado de uma forma fantástica, e provavelmente eu não fui capaz de mostrar a beleza da história, pois só as palavras de Wilde lhe conseguem dar a vida que ela merece.
O que me deixou a pensar, foi o facto de ele renegar a religião Católica neste conto, mas no conto do Gigante Egoísta ele abraça-a. Tendo como base a vida de Wilde percebe-se que ele não era muito a favor da Igreja Católica, e isso é notório neste conto.

Os contos estão narrados soberbamente, de uma forma quase poética. Oscar Wilde sabe usar as palavras e sabe despertar-nos aqueles sentimentos mais profundos nestes contos. Todos eles têm uma moral, ou mais, e tentam sempre mostrar algo que o ser humano pode, ou deveria, mudar.
Não sei se falei de todos os contos que estão neste livro. Li o livro há algumas semanas, e tentei falar daquilo que melhor me recordava e que mais me marcou. É provável que haja erros na narração das histórias.
Adorei este livro. A escrita de Wilde impressiona-me sempre.
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