Nossa Senhora de Paris - Victor Hugo




Título Original: Notre-Dame de Paris

Editora: Mel Editores

Páginas: 549

Classificação: 5/5



Um livro espantoso.
Em pequena tinha visto o filme “Corcunda de Notre Dame” da Disney, que passou a ser um dos meus preferidos deste género. Quando me apercebi que tinha sido inspirado num livro de Victor Hugo tentei encontrar a obra. A verdade é que era ainda muito pequena para ler algo deste autor tão nobre, e a minha mãe acabou por me oferecer o livro “O Corcunda de Notre Dame” da Colecção Clássicos Juvenis da Editora Verbo, uma adaptação da história para jovens (como o título da colecção o indica).

Com isto, o meu primeiro contacto com esta história já foi há alguns anos. Sei que na altura a história me pareceu muito dramática, e que em muito pouco correspondia ao filme que tantas vezes tinha visto e revisto. Não sei explicar porquê, mas aquele livro não me acalmou a ânsia de ler a história original, muito pelo contrário, fiquei ainda com mais vontade.
Quando encontrei este livro na Feira do Livro a um preço muito apetecível, até dei pulos de alegria. Bem, só posso dizer que não aconselho ninguém a comprar livros desta edição/colecção. Primeiro, não tem indicações precisas. Não diz o nome do título original nem se foi adaptado do francês (língua original) ou do inglês, e sinceramente, pareceu-me que era do inglês. Outra coisa que me enervava muito durante a leitura, é facto de não existirem traduções de expressões em latim ou francês. Ou seja, aparecem enumeras frases noutras línguas, e quem o traduziu não colocou qualquer nota de rodapé a fazer a tradução dessas secções. 
Agora falando da história propriamente dita. É fenomenal. Quasimodo é fisicamente monstruoso. A sua fealdade é tão grande que muitas pessoas não conseguem olhar para ele de frente. Além de esta fealdade, só consegue ver de um olho, e, para cúmulo, é também surdo. Mas por baixo desta máscara medonha encontra-se um ser humano com um coração gigante, capaz de amar e de fazer tudo pela felicidade do ser amado. Com esta personagem o escritor consegue transmitir tantas lições de moral. Principalmente à pequena Esmeralda, jovem cigana de 15 anos, que não consegue perceber que a beleza não é tudo, e que mantém-se apaixonada pelo jovem Phoebus que, apesar de belo e charmoso, só queria com a jovem uma noite de divertimento.
A história é um autêntico drama passado em Paris no século XV, que conjuga a vida de várias personagens; Um arquidiácono, Claude Frollo, que apesar de pertencer à Igraja deseja Esmeralda e tenta fazer de tudo para a conseguir. Um homem culto que se vê afundado no mundo da alquimia, conhecido pelo povo por ter vendido a alma ao diabo. É esta personagem que cuida de Quasimodo e que o coloca como sineiro de Notre Dame. Pierre Gringoire é um poeta que acaba por ir dar ao “Pátio dos Milagres”, um sítio onde os ciganos e os vagabundos se escondem, e começa a fazer parte desta sociedade. É também um filósofo e adorador de arte, que vai observando e admirando alguns edifícios e as suas características arquitectónicas, e vai transmitindo-as ao leitor. Esmeralda é uma cigana de uma beleza fora do normal, que quando dança e canta encanta toda a gente. Não conhece a sua verdadeira família, mas tem um amuleto que um dia a irá ligar à sua mãe. Phoebus é um capitão da guarda, engatatão nato, que acaba por se casar com uma moça de um estatuto social alto pelo dinheiro. Uma das personagens que mais me marcou foi a Gúdula. Uma mulher que está reclusa numa cela pública em Paris. Ou seja, era comum na altura haver pequenos altares em determinados sítios da cidade, onde eram colocadas pessoas para rezar. Neste caso, Gúdula, era a mãe de uma bebé lindíssima que foi roubada por ciganos quando era muito pequena. Esta mulher passa a sua vida a rezar para voltar a sentir a filha nos seus braços, e, ao mesmo tempo, sente-se revoltada com todos os ciganos que passam perto da sua cela, maltratando-os. Esmeralda é o seu principal alvo de angústia, porque a sua filha nesta altura teria a mesma idade que a cigana.
Toas as personagens são muito bem construídas, imensamente ricas e profundas. Cada uma tem a sua história, a sua personalidade, as suas angústias, a sua mentalidade, as suas ambições. A juntar a isto, a história só podia ser fenomenal. Um drama muito profundo, que nos deixa a reflectir sobre a mente humana e sobre os infortúnios da vida. Além disso, o escritor consegue descrever a cidade de todos os pontos de vista no tempo em que a história aconteceu, século XV, e mostrar-nos as ruas, as pessoas, a mentalidade, descrevendo a fundo a catedral onde decorre grande parte do enredo.
Confesso que me foi difícil no início entrar na escrita do autor. Muito descritiva, algumas vezes um pouco pesada, e alguns diálogos não muito perceptíveis. Mas rapidamente esta face inicial foi ultrapassada, e pude usufruir desta fabulosa obra.
Um livro fenomenal, que já conta como um dos meus preferidos.
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