7 de Junho de 2011

Quarto Livro de Crónicas – António Lobo Antunes










Editora: Dom Quixote

Páginas: 328


Classificação: 5/5












Sinopse
Este quarto livro de crónicas de António Lobo Antunes é uma selecção de 79 crónicas publicadas na revista Visão. Nestes pequenos textos, António Lobo Antunes evoca lugares, personagens, retratos do quotidiano e memórias de infância.

Não morreste na cama mas morreste entre lençóis de metal horrivelmente amachucados na auto-estrada de Cascais para Lisboa e a gente ali, diante do teu caixão, tão tristes. 
Começa assim a quarta crónica deste livro e é um bom exemplo da intensidade dramática de alguns textos que sendo muito mais acessíveis ao público do que os seus romances não descuram uma forte componente literária. E com uma narrativa que nos surpreende sempre pela genialidade como junta as palavras para formar cada frase, António Lobo Antunes leva-nos da tristeza à alegria e arranca-nos sorrisos pela forma como se ri de si próprio e das pequenas fraquezas de cada um de nós e que "apanha" e retrata como ninguém.


 

Opinião

Nunca tinha lido nada deste grande escritor, mas com este livro fiquei rendida à sua escrita. Todo o prestígio que possui não é em vão, ou exagerado.
Eu sabia que este escritor tem uma escrita muito pesada e que é necessário um certo "amadurecimento" literário para conseguir digerir bem a leitura. Além disso, como escreve sobre as suas lembranças da guerra, e outros temas dramáticos, a leitura é por vezes depressiva. Por estes motivos achei melhor entrar no seu mundo primeiro pelas crónicas. E realmente não são como as suas restantes obras. É uma leitura bem descontraída, mas que consegue prender o leitor com todas as frases e palavras. Isso acontece devido à sua natureza ilustrativa – a pessoa lê e consegue "ver" aquilo que está descrito, fazendo com que o leitor fique agarrado ao livro, não conseguindo "desligar" da leitura.

Um livro fantástico, adorei!

É constituído por crónicas de 3 ou 4 páginas, que o leitor devora. Tem um humor muito próprio, e uma linha condutora muito sua. Houve algumas crónicas que me marcaram mais, tais como "Jaime", "O que são as mulheres", "Se eu fosse Deus parava o sol sobre Lisboa" e "Já escrevi isso amanhã".

Uma pequena referência à encadernação – é magnífica! Parece daquele papel de convites de casamento, mais grossa que o normal, e com brilho. As folhas usadas são também diferentes do normal, sendo de um papel mais cuidado. Uma encadernação "de luxo".

Com certeza irei ler outros livros dele.

2 comentários:

José Alexandre Ramos disse...

Ainda bem que daqui salta para os outros (na minha opinião, na do autor e de muitos outros, os verdadeiros) livros de António Lobo Antunes. Mas devagarinho, se nunca leu mais nada. Um romance de ALA - principalmente os das última década podem ser uma desilusão a quem julga aí encontrar o escritor das crónicas. Tem um pouco, mas é o inverso: o cronista tem um pouco do romancista; quase nada tem o romancista do cronista, excepto uma ou outra pincelada de estilo e de discurso. Boa leitura!

Kel disse...

Muito obrigada pela comentário José Alexandre.
Sim, tenho noção de que as crónicas não têm muito a ver com os livros de Lobo Antunes. Mas penso que em breve vou ler um dos primeiros livros dele. Sei que muitas vezes não é fácil a leitura, mas um escritor tão conceituado merece que a pessoa tente lê-lo!
Boas leituras!