Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra – Mia Couto




Editora: Editorial Caminho

Páginas: 264

Classificação: 4/5




Sinopse

Um jovem estudante universitário regressa à sua ilha-natal para participar no funeral de seu avô Mariano. Enquanto aguarda pela cerimónia ele é testemunha de estranhas visitações na forma de pessoas e de cartas que lhe chegam do outro lado do mundo. São revelações de um universo dominado por uma espiritualidade que ele vai reaprendendo. À medida que se apercebe desse universo frágil e ameaçado, ele redescobre uma outra história para a sua própria vida e para a da sua terra.
A pretexto do relato das extraordinárias peripécias que rodeiam o funeral, este novo romance de Mia Couto traduz, de uma forma a um tempo irónica e profundamente poética, a situação de conflito vivida por uma elite ambiciosa e culturalmente distanciada da maioria rural.
Uma vez mais, a escrita de Mia Couto leva-nos para uma zona de fronteira entre diferentes racionalidades, onde percepções diversas do mundo se confrontam, dando conta do mosaico de culturas que é o seu país e das mudanças profundas que atravessam a sociedade moçambicana actual.


Opinião

Um autor muito apelativo, com uma escrita muito peculiar. Estava há bastante tempo para ler algo deste escritor, e não fiquei nada desapontada, muito pelo contrário. Gostei muito deste escritor.

Não sabia muito bem em que género de história estava a entrar, mas o autor soube-me agarrar desde o início e embalar-me até ao final, com um misto de metáforas, comparações, prosa poética e uma escrita muito rica em relação aos costumes angolanos.
Uma história que também reflecte sobre determinadas acções que se passam no dia-a-dia, como a avidez pelo dinheiro, o interesse capitalista pela terra-mãe e o sentido da vida e da morte.
Uma história interessante contada de uma forma leve e fluida. Um autor que me marcou.

A forma como classifiquei o livro, não é pela história ou personagens, mas pela escrita envolvente, que segue o seu rumo como a água corre num rio.

O título é muito ambíguo. Quando peguei no livro, este título não foi nada apelativo. Com a leitura percebe-se a relação entre a família, a casa, o tempo, o rio. A importância da água e do fogo nos seus costumes, o facto de retirar o telhado da sala quando algum membro da família está morto ou para morrer. E durante a história está sempre presente a relação da família, do avô Mariano e do seu neto, com a natureza, a terra-mãe.

Por algumas opiniões que li, este não será um dos livros mais dotados deste autor, por isso irei, de certeza, ler outro num futuro próximo.

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